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Filha de Iansã, da Nova Sussuarana e rainha do Muzenza

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Ela tem apenas 18 anos e foi coroada, nesta terça-feira (14), rainha de um dos mais tradicionais blocos afro da Bahia, o Muzenza do Reggae.

A praça Tereza Batista ficou pequena para tanta beleza. Sob o olhar atento do público e com as bênçãos da Rainha dos Raios, Larissa Oliveira levou o 33º título de Muzembela.

Filha de Iansã, a professora de dança afro representa não só a comunidade de Nova Sussuarana, mas tantas outras áreas da cidade, que são invisibilizadas cotidianamente.

“Foi uma conquista enorme, uma realização muito importante porque é para além de um título. É uma vitória que vou levar para toda a minha vida”, declara, em entrevista o Correio Nagô, Larissa Oliveira, relatando que contou com o incentivo dos professores.

Larissa Oliveira eleita 33ª Muzembela

Larissa Oliveira eleita 33ª Muzembela

“Este concurso do Muzenza é, para nós, um espaço de conquista porque a mulher negra pode mostrar sua beleza para além dos estereótipos”, considera a dançarina Naiara Coutinho, que estava torcendo para Larissa.

Já afastado do palco, o decorador Elenilton de Sousa observava as apresentações das candidatas, sem demonstrar preferência. “Quem ganhar está bom porque todas são adoráveis. O importante é que a festa representa a nossa cultura, que é negra”, observa.

Elenilton sabe o quão tem sido difícil a manutenção dessas manifestações culturais. Falta apoio, patrocínio e maior adesão da comunidade negra.

“Realizar essas atividades tem sido para nós um constante aprendizado, um exercício. A crise existe para nós há muito anos, então temos este desafio. Essas manifestações são alternativas para este modelo que está posto. Apesar de todas as dificuldades, os blocos afros têm feito eventos com eficiência”, pondera o presidente do Bloco Afro Olodum.

PARA BALANÇAR A RAÇA NEGRA

Este ano o Muzenza leva para a avenida o ‘Afrofuturismo’ como tema. Resumindo, o bloco mergulha no movimento, iniciado na década de 1960, pluridisciplinar que utiliza a música, as artes plásticas, os grafismos, a moda, a fotografia como forma de reivindicar para negras e negros a narrativa das suas histórias iniciada.

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Donminique Azevedo é repórter do Portal Correio Nagô

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