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Bandas Filhos de Korin Efan e Omó Obá levam ancestralidade e resistência negra para a Avenida neste sábado de Carnaval

O samba foi escolhido como tema oficial do Carnaval de Salvador neste ano, celebrando os 110 anos da primeira gravação comercial do gênero que é expressão viva da criatividade e da resistência das comunidades afrodescendentes no Brasil. Manifestação que bebe da mesma fonte do afoxé, o samba nasce dos terreiros, das ruas e das estratégias de sobrevivência cultural do povo negro diante do racismo estrutural.

É nesse território de memória e fé que surge o Afoxé Filhos de Korin Efan, no Centro Histórico de Salvador. A entidade levará para o sábado de Carnaval, no Circuito Osmar, no Campo Grande, um cortejo que reafirma a ancestralidade africana como fundamento do desfile e como projeto político de existência.

“Celebraremos a ancestralidade, as expressões, os rituais e a importância desses grupos na promoção social e cultural do povo negro. Levaremos para a avenida os elementos que simbolizam a origem dos afoxés e a conexão com a fé de matriz africana. Festejaremos o reconhecimento do desfile dos afoxés como patrimônio imaterial da Bahia, bem como o candomblé”, destaca Elisângela Silva, presidente da Sociedade Cultural e Carnavalesca.

Ancestralidade, fé e resistência

Com o tema “Afoxés da Bahia: uma história de ancestralidade, fé e resistência”, o bloco homenageia a trajetória dos afoxés enquanto manifestação cultural e religiosa fundada pelo povo negro. O enredo apresenta elementos basilares como o babalotim, os estandartes, as alas de dança, o ritmo ijexá, a plasticidade dos adereços, as fantasias, os reis, as rainhas e as coreografias que traduzem a força estética e espiritual dessa tradição.

O cortejo também faz referência à ancestralidade africana e aos rituais de abertura de caminhos, reafirmando o afoxé como espaço de educação antirracista, afirmação identitária e preservação do patrimônio imaterial.

Ritual, cortejo e encontro com o povo

Antes do desfile no Circuito Osmar, no sábado de Carnaval às 9h, os integrantes realizam o ritual religioso na sede da entidade. O grupo pede licença e invoca as energias de Exu e Ogum, divindades do Candomblé associadas à abertura de caminhos e à proteção.

Por volta das 14h, o cortejo sai pelas ruas do Pelourinho em direção à Praça Castro Alves. Às 15h, os foliões seguem com a banda Filhos de Korin Efan rumo ao Campo Grande. Após a passagem pela avenida, quem assume o trio é a Banda Omó Obá, fortalecendo o diálogo entre o samba de terreiro e o afoxé como linguagens que guardam memória e resistência.

O bloco presta homenagem a afoxés históricos que marcaram a construção dessa tradição, como o Afoxé Pandagos da África, o Afoxé Embaixada Africana e o Afoxé Badauê, que não existem mais, mas foram fundamentais no processo de surgimento dos afoxés. Reverencia também grupos que seguem resistindo e mantendo vivo o legado ancestral, como o Afoxé Olorum Baba Mi, o Filhas de Gahady, o Filhos de Gandhy e o Dança Bahia.

A carnavalesca responsável pelo enredo é Elisângela Silva, com a colaboração de Babá PC e Babá Atinsá Pai Tinho, do Terreiro Casa de Oxumarê.

“Chamaremos a atenção para a necessidade de políticas públicas de salvaguarda dos desfiles de afoxé e para o respeito à ancestralidade, ao meio ambiente e à manutenção das tradições”, reforça Elisângela.

Estrutura do bloco e abadás

O Afoxé contará com sete alas, entre elas a do estandarte bordado a fios de ouro, ogãs com toque de agdabês, ala das crianças, das baianas, das cabaceiras, dos agogôs, músicos e destaques de dança e fantasias.

Os foliões que desejam viver essa experiência de celebração da cultura afro-brasileira podem adquirir os abadás pela plataforma Sympla e na sede do Afoxé. O passaporte da fantasia com serviço de open bar custa R$ 110,00. Apenas o abadá pode ser adquirido por R$ 80,00.

Mais informações e vendas pelo link:
https://www.sympla.com.br/evento/carnaval-2026-afoxe-filhos-de-korin-efan/3269986?referrer=www.google.com.br&referrer=www.google.com.br&share_id=copiarlink

História e legado

O Afoxé Filhos de Korin Efan, que em iorubá significa Korin, cântico, e Efan, terra de Ijexá, foi fundado em 1980 e registrado oficialmente em 2002 por Erenilton Bispo dos Santos, conhecido como Elemaxó da Casa de Oxumarê, ogã alabê de ouro e ex-diretor e cantor do Afoxé Filhos de Gandhy.

Mestre Erenilton foi profundo conhecedor dos cânticos sagrados ketu, ijexá, jeje e angola. Criou o bloco com o propósito de garantir a participação das mulheres ao lado dos homens nas festas populares, rompendo barreiras dentro dos próprios grupos de afoxé. Em 2012, recebeu da Assembleia Legislativa o título de Mestre Popular, Agdabê de Ouro, em reconhecimento à sua contribuição à tradição musical e religiosa afro-baiana.

Após seu falecimento, em 2014, a entidade passou a ser presidida por sua filha, a advogada Elisângela Silva, que mantém viva a missão de transformar o Carnaval em território de memória, fé e afirmação negra.

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