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Arquivo Público da Bahia celebra 136 anos com reconhecimento da Unesco e amplia ações de preservação e acesso à memória

Ao longo de mais de um século, o Arquivo Público do Estado da Bahia tem desempenhado um papel essencial na proteção da memória histórica do povo baiano, reunindo acervos que ajudam a compreender a formação social, política e cultural do Brasil. Nesta quinta-feira, a instituição celebrou 136 anos de existência com uma programação marcada por novos investimentos, melhorias estruturais e o fortalecimento de suas ações de preservação e difusão do conhecimento.

Entre os destaques da celebração está o reconhecimento internacional concedido pela UNESCO, por meio do Programa Memória do Mundo. A coleção Passaportes de Escravizados, Libertos, Livres e Africanos (1821–1889), que integra o acervo colonial do Arquivo Público da Bahia, passou a compor o Registro Regional da América Latina e Caribe. Os documentos são fontes fundamentais para pesquisas sobre o período da escravidão e revelam registros de mobilidade, controle e trajetórias de pessoas negras no século XIX.

Foto: Feijão Almeida/GOVBA

Com esse reconhecimento, o Arquivo Público da Bahia se torna a primeira instituição baiana a alcançar essa etapa regional do programa, abrindo caminho para a candidatura ao reconhecimento global. O registro também reafirma a relevância do acervo para estudos sobre a diáspora africana e os processos históricos que marcaram a sociedade brasileira.

Durante a celebração, o governador Jerônimo Rodrigues destacou a importância da preservação documental e do fortalecimento das instituições responsáveis pela memória histórica. “Preservar a memória é um compromisso com o passado, mas também com o futuro. O reconhecimento da Unesco mostra que o que está guardado aqui tem importância para o mundo”, afirmou.

Digitalização e acesso ampliado ao acervo

Entre as principais ações anunciadas está a implantação de um novo Laboratório de Digitalização, iniciativa que amplia o acesso ao acervo e fortalece as estratégias de preservação documental. Implantado por meio de convênio com o Ministério da Cultura, o laboratório recebeu investimento de R$ 100 mil e conta com câmeras profissionais, scanners planetários A3, computadores de alto desempenho e notebooks.

A digitalização dos documentos permite que pesquisadores, estudantes e a sociedade em geral tenham acesso ampliado a registros históricos, ao mesmo tempo em que protege os originais do desgaste provocado pelo manuseio constante. A iniciativa integra uma agenda mais ampla de modernização do Arquivo Público da Bahia, que busca aproximar a instituição da sociedade e democratizar o conhecimento histórico.

Outro avanço foi a requalificação da antiga Sala do Pesquisador, que passou a se chamar Sala Dr. Luiz Gama, em homenagem ao jurista, jornalista e abolicionista negro Luiz Gama. O espaço recebeu novos equipamentos, mobiliário e climatização, com investimento de R$ 50 mil da Fundação Pedro Calmon, garantindo melhores condições de trabalho para pesquisadores e equipes técnicas.

Foto: Feijão Almeida/GOVBA

Segundo o diretor do Arquivo, Jorge X, as melhorias estruturais fortalecem a missão institucional de preservar e tornar acessível o patrimônio documental da Bahia. “Esses investimentos qualificam nossos fluxos de trabalho, ampliam a segurança do acervo e permitem que mais pessoas tenham acesso a documentos fundamentais para entender a história da Bahia e do Brasil”, destacou.

Sede histórica preservada

A segurança institucional também foi reforçada com a resolução definitiva do processo judicial que envolvia o prédio-sede do Arquivo, instalado no Solar da Quinta, imóvel histórico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional desde 1949.

A Justiça homologou acordo que reconheceu o pagamento integral de R$ 8 milhões, eliminando o risco de leilão do imóvel e garantindo a permanência do Arquivo em sua sede histórica. A medida assegura a continuidade das atividades da instituição em um espaço que também integra o patrimônio arquitetônico da cidade.

Restauro e preservação do patrimônio cultural

A programação também incluiu o anúncio do restauro da fonte histórica em pedra localizada no pátio do Arquivo, parte do conjunto arquitetônico do Solar da Quinta. A iniciativa integra um conjunto de ações voltadas à preservação do patrimônio histórico e cultural da Bahia.

Durante o evento, também foram anunciadas autorizações, no âmbito do Novo PAC, para a abertura de processos licitatórios voltados à elaboração de projetos de restauro de importantes equipamentos culturais do estado, em parceria com o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia.

Entre os espaços contemplados estão a Faculdade de Medicina da Bahia, o Convento de Santa Clara do Desterro, o Ilê Maroia Laji, a Casa do Samba de Santo Amaro e a Casa Berquó e Sete Candeeiros, onde será criado o Centro de Referência do Patrimônio.

As iniciativas reforçam o papel do Arquivo Público da Bahia como uma instituição estratégica na preservação da memória coletiva, contribuindo para que documentos, histórias e trajetórias que ajudam a compreender o Brasil sigam acessíveis às próximas gerações.

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