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Comunicação antirracista e protagonismo negro na cobertura do Carnaval de Salvador

Veículo criado pelo Instituto Mídia Étnica constrói, há anos, uma narrativa própria sobre a maior festa de rua do mundo, valorizando as matrizes afroculturais, a memória e a resistência do povo negro

O Portal Correio Nagô se consolidou como um dos mais influentes veículos de comunicação da comunidade negra no Brasil. Fundado pelo Instituto Mídia Étnica, o portal surge como resposta direta à ausência do protagonismo negro na mídia tradicional, assumindo o compromisso com uma comunicação antirracista, humanizada e comprometida com os direitos, a cultura e a identidade da população negra.

Desde sua criação, o Correio Nagô produz conteúdo próprio sobre cultura, política, direitos humanos e questões raciais, alcançando milhares de acessos diários. O trabalho se estende também às redes sociais e ao audiovisual, por meio da TV Correio Nagô, no YouTube, que reúne centenas de vídeos autorais com entrevistas, registros históricos e produções culturais de grande relevância para a memória negra no Brasil.

Entre os temas que recebem atenção contínua do portal está o Carnaval de Salvador, reconhecido mundialmente como a maior festa de rua do planeta e uma das expressões culturais mais potentes do país. A cobertura do Correio Nagô vai além do registro de shows e artistas de grande visibilidade. O foco está na valorização das matrizes afroculturais, dos ritmos como o samba-reggae, da presença dos blocos afro, afoxés e de outras tradições negras e indígenas que sustentam a festa desde suas origens.

Ao adotar esse olhar, o portal rompe com estereótipos historicamente reproduzidos pela mídia hegemônica, que muitas vezes reduz essas manifestações a espetáculos esvaziados de significado. Para o Correio Nagô, o Carnaval é território de identidade, memória, ancestralidade e resistência política e cultural.

Registros históricos que constroem memória

Ao longo dos anos, o Portal Correio Nagô esteve presente em momentos marcantes do Carnaval de Salvador, registrando narrativas negras que ajudam a contar a história da festa a partir de quem a constrói. Entre os destaques da cobertura estão:

Participação no Observatório de Discriminação Racial no Carnaval de Salvador, com destaque para a entrevista com Matilde Ribeiro, então ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), reafirmando o papel do carnaval como espaço de disputa por direitos e enfrentamento ao racismo institucional. (2006)

Diana Condá e Rosalvo Neto entrevistam Matilde Ribeiro no Bloco Ilê Aiyê

Cobertura da saída do Bloco Ilê Aiyê, no primeiro Carnaval após o falecimento de Mãe Hilda Jitolu, evidenciando a dimensão afetiva, espiritual e ancestral que marca a trajetória do bloco afro mais antigo do Brasil. (2010)

Conversa com Gilberto Gil durante o Carnaval de Salvador para o documentário internacional Viramundo, que acompanhou o artista em uma jornada musical conectada às suas raízes culturais e diálogos com a música de matriz africana. (2011)

Gilberto Gil com a Equipe do IME

Entrevista exclusiva com o cineasta Spike Lee, realizada durante o período em que gravava o documentário Go Brazil Go, abordando temas como cultura negra, música e a relação entre Michael Jackson e o Olodum. (2013)

Registro exclusivo da presença da atriz e cantora norte-americana Tichina Arnold, conhecida por interpretar Rochelle no seriado Todo Mundo Odeia o Chris, que viveu o Carnaval de Salvador ao lado dos blocos Olodum e Muzenza, em uma experiência de intercâmbio cultural afro-diaspórico. (2013)

Produção de séries audiovisuais com enfoque cultural, como os interprogramas sobre as mulheres do Muzenza, a Escola de Samba Unidos de Itapuã, o Afoxé Filhos do Congo e a Banda Didá, todos produzidos pela TV Correio Nagô, destacando o protagonismo negro feminino e comunitário no carnaval. (2017)

Cobertura do concurso Deusa do Ébano, que elege a Rainha do Ilê Aiyê, valorizando a beleza negra, a ancestralidade e a afirmação estética como instrumentos políticos e culturais dentro do Carnaval de Salvador. (2018)

Registro do desfile do Bloco da Saudade, marcado pela emoção e pela memória coletiva, quando “a saudade tomou conta do Pelourinho”, reafirmando o carnaval como espaço de afetos, história e resistência cultural negra. (2025)

Carnaval como território político e cultural

A importância de um veículo negro narrar o Carnaval de Salvador está justamente na possibilidade de devolver profundidade histórica e política a uma festa frequentemente esvaziada de seus sentidos originais. Ao contextualizar ritmos, rituais, blocos e tradições de matriz africana, o Correio Nagô contribui para a valorização das vozes negras e indígenas e para o enfrentamento de narrativas coloniais que insistem em marginalizar ou exotizar a cultura negra.

📺 Acesse os conteúdos especiais de Carnaval na TV Correio Nagô
Playlist de Carnavais:
https://youtube.com/playlist?list=PLXLB-Sl3YbPSnz6sRI_LpddGoCYMcHwgl&si=i7weZWjT-p1PJktj

Canal TV Correio Nagô:
https://www.youtube.com/c/TVCORREIONAG%C3%94

Ao longo de sua trajetória, o Portal Correio Nagô reafirma que comunicar é também um ato político. Ao contar o Carnaval a partir das matrizes negras, o veículo não apenas registra a festa, mas constrói memória, fortalece identidades e disputa narrativas sobre o Brasil. Correio Nagô: informação com identidade, comunicação a serviço da luta do povo negro.

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