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Criador da maior “Fan Page” negra do Facebook conta trajetória e como conseguiu seis milhões de fãs

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Redação Correio Nagô* – A atriz Kimberly Elise, que já contracenou em filmes como “Mãos Talentosas – A História de Benjamin Carson” e “O grande desafio”, se aproximou e disparou: “Eu preciso ter uma camisa dessas”. O criador da maior Fan Page negra na rede social Facebook, Kumi Rauf, respondeu: “custa U$ 15”. Ela retrucou: “Ah! Mas eu quero de graça”. Rauf chegou a pensar “como é que essa mulher milionária quer de graça?”, mas logo em seguida disse que daria, com uma condição.

l“O homem de negócios falou mais alto. Eu disse que daria se ela vestisse imediatamente e aceitasse ser fotografada. E a foto tem sido usada (na fan Page) nos últimos cinco anos”, contou Rauf, durante a palestra que proferiu na noite desta segunda-feira (03), na Biblioteca Pública do Estado, em Salvador.

O “insight” de Rauf, diante do pedido da atriz, foi um dos vários exemplos citados sobre como conseguiu atingir a marca de seis milhões de fãs em sua página no facebook chamada de “I Love Being Black (Eu amo ser negro(a)).

(A atriz Kimberly Elise vestiu literalmente a camisa do I Love Being Black)

A palestra, que contou com a tradução simultânea de Raquel Souza, foi promovida pelo Portal Correio Nagô. “Quando nós soubemos da presença dele em Salvador, sabíamos que tínhamos que conectar nosso trabalho com ele”, disse Paulo Rogério, um dos fundadores do Instituto Mídia Étnica, grupo de comunicadores negros que criaram o portal.

gbfgdsfInternet – De acordo com dados citados por Rauf, o Brasil é o segundo país com maior número de usuários da internet, com 62 milhões de pessoas, sendo que 87% deste contingente estão em redes sociais.

(Kumi Rauf esteve em Salvador e contou como foi atrás de alternativas após se deparar com o racismo no primeiro trabalho)

Já a rede social facebook atingiu 1 bilhão de usuários. Destes, 50% se conecta diariamente e a mesma porcentagem acessa através de aparelhos móveis como os celulares.

Diante destes números exorbitantes, ele recomendou a criação das fan pages ao invés dos profiles pessoais. “Recomendo para promover negócios porque profile só permite até 5 mil pessoas. E se você quer ser bem sucedido, vai querer mais de 5 mil pessoas na sua página”, ressaltou.

Divulgar entre amigos também ajuda. “Os amigos chamam os amigos. É uma espécie de onda”. Outras táticas, como não estar somente online e comparecer presencialmente em eventos, shows e promover promoções com direito a brindes, também foram citadas como recurso para conseguir ter êxito.

Até a escolha do nome foi cuidadosamente feita, segundo Rauf. “Alguém podia pensar ‘eu amo ser afroamericano’, mas não quisemos porque o movimento é mundial é ‘I Love being Black”, destacou o palestrante que é formado em Ciências da Computação pela Universidade de Santa Bárbara, na Califórnia (EUA).

Racismo – Logo após ter se formado, ele disse que enfrentou dificuldades no primeiro trabalho na área. “O racismo foi o primeiro golpe. O golpe n.º 2 foi o salário baixo e o 3º foi colocar limites na minha liberdade”, relatou Rauf que trabalha atualmente com os pais, dois irmãos e uma amiga. Ele pretende contratar ainda mais duas pessoas.

Após algumas viagens pelo mundo, ele disse que mudou seu modo de ver as coisas. Em 2003, criou para ele uma camisa com a frase. “Todo lugar que eu ia, negros e negras me perguntavam onde eu tinha conseguido a camisa”. Daí para atingir um milhão de fãs em 2008 foi resultado de muita criatividade e trabalho.

hgfffI Love being Black está atualmente no “top 500” de cerca de 42.000.000 páginas do Facebook em termos de base de fãs. Está ainda no “top 20” de todas as páginas de roupas no Facebook, a frente de marcas como of Dolce & Gabbana, Ralph Lauren, Old Navy, Armani, etc, e lidera no número de fãs de todas as páginas no facebook americanas voltadas para a comunidade negra.

“Algumas pessoas interpretam ‘eu amo ser negro’ como se fosse ‘eu detesto os outros’, mas não é verdade. Essa não é a nossa intenção. Nosso objetivo não é só o lucro. As pessoas que a gente faz propaganda são escolhidas a dedo. Recentemente tive que devolver um cheque de mil dólares porque era de uma empresa que não queríamos ter relações financeiras”, destacou, referindo-se ao trabalho de auto-afirmação voltado para a comunidade negra.

Antes de finalizar a apresentação, Rauf ainda deixou uma mensagem para os negros e negras brasileiros. “Construa algo ou seja parte de algo. Precisamos de mais empreendimentos negros. Nós precisamos nos apoiar”, disse o criador da Fan Page.

*Por Anderson Sotero

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