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Crise econômica contribuiu para aumentar o racismo nos EUA, diz filha de Martin Luther King

Bernice King, filha do líder do movimento pelos direitos civis, participou de atividades do Dia da Consciência Negra

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A crise econômica e o colapso da bolha imobiliária contribuíram para aumentar o racismo nos Estados Unidos. Filha do ativista político norte-americano Martin Luther King Jr., Bernice Albertine King participou nesta terça-feira (20/11), na Faculdade Zumbi dos Palmares, em São Paulo, das celebrações do Dia da Consciência Negra.

Segundo Bernice, a crise atingiu principalmente as comunidades mais pobres de seu país e as famílias negras que se viram impossibilitadas de arcar com as hipotecas, que, mesmo após terem passado por um período de prosperidade, voltaram a ser discriminadas. “Por essa razão dou um conselho a vocês: quando a oportunidade vier para aumentar o poderio econômico, sempre mantenham um alto padrão de disciplina, porque sempre haverá forças que tentarão minar o progresso de vocês, mantenham-se vigilantes, sábios e disciplinados”. Filha caçula do ativista norte-americano, Bernice também é advogada, palestrante e pastora.

Bernice também criticou o sistema de educação pública dos Estados Unidos, que continua, em sua opinião, muito segregacionista. Ela ainda demonstrou preocupação especial com a educação destinada aos jovens negros do sexo masculino, que constituem a maior parcela da população carcerária dos Estados Unidos.

Em vez de fazer um discurso, como estava previsto, Bernice preferiu responder às perguntas de estudantes brasileiros, incentivando a juventude a se inspirar no legado de seu pai, lembrando que ele começou a militar pelos direitos da comunidade negra quando tinha apenas 26 anos.

“O sonho de meu pai ainda não foi alcançado. Mas é óbvio que minha presença aqui significa que estamos no caminho certo. Sonhos se tornam realidade, mas desafio todos vocês também a fazer como [o pacifista Mahatma] Gandhi [cujo ativismo teve grande influência em Martin Luther King] , para que vocês se tornem parte das mudanças pelas quais vocês lutam”.

Ao fim do encontro, Bernice convidou todos os presentes a viajarem para Atlanta em 2013, para as comemorações dos 50 anos do famoso discurso de seu pai, “I Have a Dream” (Eu tenho um Sonho), realizado em Washington.

No dia anterior, Bernice participou da premiação do Troféu Raça Negra. Em seu discurso, ela afirmou que, depois de 50 anos do discurso de seu pai, muitas coisas mudaram. “Hoje temos o primeiro presidente negro nos EUA, mas não podemos estar satisfeitos com tantos afro-americanos e afro-brasileiros na pobreza e enquanto oportunidades de educação e trabalho não forem iguais para negros e brancos”.

Ao mesmo tempo em que emocionava o público pelo valor simbólico, Bernice também chamou atenção por se recusar a responder sobre uma série de assuntos em perguntas dos jornalistas. Entre os temas vetados estavam o conflito entre Israel e Palestina e os direitos dos homossexuais – em 2006, ela participou de um movimento contra pessoas do mesmo sexo. No entanto, no início do ano, fez um discurso dúbio em que afirmou que “a comunidade LGBT também deveria estar entre os vários grupos que deveriam se unir para espalhar o legado de seu pai”.

Bernice destacou que a união é a fonte da força dos movimentos e lembrou a história da norte-americana Rosa Parks que, em 1955, se recusou a ceder seu assento de ônibus para um passageiro branco na cidade de Montgomery, Alabama. “Ela não apenas estava cansada fisicamente, mas estava cansada também das condições de vida as quais era submetida. As mulheres daquela comunidade já estavam pensando em boicotar as empresas de ônibus pelo tratamento que os negros estavam recebendo. O boicote seria de um dia (em 1º de dezembro de 1955), mas pela manã, eles perceberam que 99% dos negros da cidade, incluindo homens e crianças, não entravam mais nos ônibus. Por isso, perceberam que era necessário continuar. Ao fim, 381 dias depois, a Suprema Corte determinou que a segregação nos ônibus era inconstitucional. Foi a unidade que tomou lugar em Montgomery criou a força que hoje nós chamamos de “movimento”. A greve nos ônibus de Montgomery teve Luther King como um de seus grandes incentivadores e deu início ao movimento pela igualdade dos direitos civis nos Estados Unidos.

Histórico

Luther King tornou-se ícone do movimento pela igualdade racial no século XX, quando liderou o movimento dos direitos civis dos negros nos EUA através de vias pacíficas. Em 1955, organizou o boicote aos ônibus da cidade de Montgomery, no Estado do Alabama, e chegou ao ápice quando, em 1963, ao fim da marcha de Washington, em frente a um público de 200 mil pessoas, no Lincoln Memorial, proclamou o famoso discurso “I Have a Dream” (Eu tenho um Sonho), em que disse sonhar pela coexistência pacífica entre todas as raças nos EUA no futuro. Na época, o evento foi considerado fundamental para a assinatura do Ato de Direitos Civis, em 1964, entre outros avanços na legislação de direitos civis nos EUA. King foi assassinado em 1968 em um hotel de Memphis, Tennessee, horas antes de participar de uma marcha na cidade.

Fonte: Opera Mundi

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