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Estado brasileiro ainda vê comunidades de terreiro como folclore

Por Juliana Gonçalves

Para Mãe Celina de Obá, delegada do Espírito Santo, da cidade de Cachoeiro de Itapumirim, o estado brasileiro ainda precisa mudar o olhar em relação às comunidades de terreiro. “Infelizmente ainda somos vistos como parte do folclore nacional; somos apresentados como produto brasileiro, mas isso não se reverte em conquista de direitos”.

A Yalorixá participa da delegação dos povos de terreiro durante a III Conapir. “Essa é a terceira conferência de promoção de igualdade. Nas anteriores foram tiradas muitas propostas que não foram consolidadas”, afirmou.

Ao tomar como base os dados do IBGE (2010), os povos de terreiro são sem dúvidas uma minoria. A população espírita passou de 1,3% (2000) para 2% (2010). Os seguidores da umbanda ou do candomblé são 0,3%, o mesmo percentual registrado no levantamento anterior.

Os povos de santo entendem que o número de praticantes deve ser maior, já que poucos são aqueles que assumem publicamente a religião que praticam, pois temem represálias verbais, sanções sociais, e até mesmo agressões físicas por parte de outros membros da sociedade.

celina

Celina reconhece que só o fato do povo de terreiro estar representado na conferência é um avanço, mas afirma que as condições não melhoraram imediatamente. “Nosso povo anseia nada mais do que igualdade de tratamento e de oportunidade”.

De acordo com ela, durante a abertura da III Conapir, os povos de terreiro receberam uma resposta positiva ao pedido de encontro com a presidenta. “Estou empolgada com a possibilidade da presidenta Dilma sentar conosco pela primeira vez. Ela se comprometeu a nos receber e a Seppir irá intermediar o encontro”, contou Celina.

Fonte: Comunicadoras Negras

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