Programação celebra ancestralidade e anuncia tributo a Nengua Guanguacese no Carnaval 2026

No dia 11 de janeiro, a partir das 13h, a sede do Bloco Alvorada será palco do evento “Diversidade Cultural do Samba”, um encontro que reafirma a força do samba como espaço de resistência, memória e celebração da cultura negra. A programação marca os 51 anos do primeiro bloco de samba do Carnaval de Salvador, consolidando uma trajetória que atravessa gerações e mantém viva a tradição da Sexta-feira de Carnaval.
A festa com entrada gratuita que acontece na Ladeira da Independência, no Gravatá, contará com a Roda de Samba do Alvorada, formada por integrantes da ala de canto da agremiação — Romilson (Partido Popular), Valdélio França e Arnaldo Rafael — além das participações de Pagode do Thiago, Morango e Rogério Bambeia. A proposta é promover um encontro musical que valoriza artistas da terra, repertório autoral e a identidade do samba produzido na Bahia.

A celebração dialoga com o tema que o bloco levará para a avenida no Carnaval 2026: “Nengua Guanguacese: 100 anos de mar, folha e fé”, em tributo à sacerdotisa Olga Conceição Cruz, conhecida como Nengua Guanguacese, referência do Terreiro Bate Folha — o Manso Banduquenqué, primeiro terreiro tombado pelo Iphan. A homenagem reconhece o legado espiritual, cultural e comunitário da líder da nação Angola, que dedicou 74 anos ao sacerdócio e ao cuidado coletivo.
Mais do que um enredo, o Alvorada propõe um rito de reverência que se ancora em três forças simbólicas presentes na caminhada de Mãe Olga: o mar, ligado ao movimento da vida e à criação; a folha, como energia vital e poder de cura; e a fé, que conecta o sagrado ao popular e aproxima o terreiro do samba, o tambor do coração do povo.

No desfile da Sexta-feira de Carnaval de 2026, o bloco volta a reunir grandes nomes do samba baiano em sua tradicional ala de canto, com Bira (Negros de Fé), Arnaldo Rafael, Romilson (Partido Popular), Marco Poca Olho, Valdélio França e Tiago Dantas (Representa), além das participações especiais de Marquinho Sensação, Renato da Rocinha, Rogério Bambeia e Roberto Mendes.
Histórico
Fundado em 1975, por jovens estudantes do Colégio Severino Vieira — entre eles Vadinho França, também fundador da Unesamba — o Bloco Alvorada nasceu no bairro do Gravatá e foi responsável por inaugurar a Sexta-feira de Carnaval, abrindo oficialmente o primeiro dia da folia em Salvador. Seu nome simboliza justamente esse papel: anunciar o nascer do Carnaval, o despertar da alegria e da tradição do samba.
Ao longo de cinco décadas, o Alvorada manteve viva sua essência: repertório próprio, ala de canto formada por artistas da terra, ala das baianas e de passistas e o inconfundível galo de três metros de altura, que abre o cortejo e se tornou uma das marcas visuais mais emblemáticas do bloco.
Para além da avenida, a agremiação também atua como espaço de formação cultural e fortalecimento comunitário, realizando ações ao longo do ano, como a Feira de Empreendedores Negros, o tradicional caruru que marca o início dos ensaios e a Lavagem da Fonte de Nanã, rituais que reforçam a ligação espiritual com o Terreiro Bate Folha e com as religiões de matriz africana.
SERVIÇO
Evento: Diversidade Cultural do Samba
Quando: 11 de janeiro (domingo)
Horário: A partir das 13h
Local: Sede do Bloco Alvorada, Ladeira da Independência
Atrações: Roda de Samba do Alvorada, Pagode do Thiago, Morango e Rogério Bambeia





