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Último Sarau Bem Black do ano homenageia Mestre Moa do Katendê

17/12/2018 | às 17h07

Nesta quarta-feira (19), a partir das 19h, o Sarau Bem Black de 2018 celebra a resistência e reverencia a memória do Mestre Moa do Katendê (1954-2018), brutalmente assassinado em outubro passado após uma discussão política. Comandado pelo poeta Nelson Maca, o sarau revisita o legado de Moa, marcado pelo forte traço de negritude afrobaiana, e seus desdobramentos na música popular brasileira. O evento ocorre na Oficina de Investigação Musical, no Largo do Pelourinho. 

Entre os convidados desta edição especial estão o percussionista Jorjão Bafafé, que foi parceiro de Moa na criação do Afaxé Badauê, 1978, e os participantes do clipe Moço Lindo do Badauê, que será lançado no Sarau. Homenagem a Moa, o clipe tem concepção musical e base de Dj Gug e AquaHertz, e foi gravado no mês passado na  Ladeira de Nanã e Praça dos Artistas, no Engenho Velho de Brotas – onde aconteciam os agitados ensaios do Badauê.  O trabalho contou com as participações dos rappers Lázaro Erê e Rone Dundun (Opanijé), Aspri (RBF), Xarope Mc e Wal Cardozo, dos dançarinos Negrizu (Moço Lindo do Badauê), Renilda e Samona, do grupo de capoeira Dendê de Aro Amarelo, da Casa Branca, além de Nelson Maca e Jorjão Bafafé.    

Ao lado das homenagens, o Bem Black segue com sua estrutura tradicional, alternando os poetas da casa, os da plateia e a discotecagem, sua marca registrada. As quatro poetas residentes – Vera Lopes, Lúcia Santos, Luiza Gonçalves e Anajara Tavares – e o poeta Jairo Pinto declamam poemas autorais e clássicos da literatura negra. E o DJ Joe, responsável pela trilha sonora, apresentará, entre uma performance e outra,  ijexás compostos por Moa quanto de outros compositores que citam o Afoxé Badauê, a exemplo de Morais Moreira, Caetano Veloso e Carlinhos Brown. A noite conta ainda com participações especiais, como a do músico Bira Reis, anfitrião dessa edição.         

Será uma noite para relembrar a trajetória de Romualdo Rosário da Costaque se formou na cultura popular afrobaiana e articulou como poucos a música, a dança, a capoeira e o artesanato. Sim, porque Moa fabricava instrumentos, desenhava e costurava as próprias roupas e compunha para blocos afro.  É autor do clássico Badauê, feita para o Ilê Aiyê e  eternizada no disco Cinema Transcendental por Caetano Veloso (1979).

Da Redação do Correio Nagô.

 

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